Trilha sonora da juventude: fãs relatam como álbum acústico do Charlie Brown Jr. marcou suas vidas 23 anos atrás

  • 31/07/2026
(Foto: Reprodução)
João Rock 2026 promete 12 horas de shows para 65 mil pessoas Sem as guitarras distorcidas, mas barulhento, assinatura da banda, o álbum “Acústico: Charlie Brown Jr.”, lançado em 2003, marcou uma geração de fãs e ecoa até os dias de hoje. Pelo menos é o que dizem amantes do grupo santista, que esperam reviver a adolescência no João Rock 2026, em Ribeirão Preto (SP), neste sábado (1). Remanescentes do Charlie Brown Jr., os guitarristas Marcão Britto e Thiago Castanho levam ao festival um show tributo ao álbum desplugado. A apresentação tem a participação da cantora Negra Li, voz marcante na versão acústica de 'Não É Sério', e de Marcelo Nova, vocalista do Camisa de Vênus que divide os vocais em 'Hoje' - ambos convidados originais do projeto. Outras faixas presentes no álbum, como 'Zóio de Lula' e 'Como Tudo Deve Ser', tocavam alto no carro dos amigos de Bruno Bordonal, de 38 anos. Na época, ouvir Charlie Brown Jr. era boa parte da vida do músico, que hoje é baterista em uma banda cover do grupo em Orlândia (SP). "Na escola, nos intervalos, não podia, mas a gente levava um walkman e ficava escutando as músicas. Essa era minha melhor fase também. Com 15, 16 anos, não tinha coisa ruim na época", lembra o músico. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Bruno Bordonal (de camiseta branca) com Thiago Castanho (à esquerda) e Marcão Britto, do Charlie Brown Jr. Arquivo pessoal Música para ser compreendida Poliana Moraes tem uma memória parecida com a de Bruno. A psicóloga organizacional, de 36 anos, recorda como as letras de Chorão faziam ela se sentir compreendida. "Eu me lembro muito de ver que a minha mãe não me entendia direito, meu pai não sabia do que eu estava falando e as músicas do Charlie Brown conseguiam me traduzir", diz. Ao falar da juventude em Porto Ferreira (SP), ela lembra de um período sem caixas de som portáteis e celulares. "Na minha adolescência eu lembro que a gente pedia as músicas na rádio, gravava na fita e escrevia as letras." Estrada, som alto e rodeada de amigos. Esse é o cenário que vem à memória de Poliana ao comentar o lançamento do acústico. O álbum foi a trilha sonora de uma viagem que ela fez a Trindade (RJ), a primeira dela com a turma. "Me lembro de cantar muito, de terminar uma música e já colocar de novo. Eu falo que o acústico não tem uma música que eu não goste." Poliana Moraes durante o João Rock 2025 em Ribeirão Preto, SP Arquivo pessoal A melhor música do álbum Escolher só um dos sucessos presentes no álbum não é uma tarefa simples, mas Bruno não hesita ao eleger "Vícios e Virtudes". Ouvir o som o transporta de volta para 2003. "A gente escutava ela demais, pegava o violão na escola e ficava tirando as músicas e tudo mais, era muito bom." Bruno concorda que as letras de Chorão aliadas aos músicos conquistaram a receita ideal para um som duradouro. "As letras do Chorão não tem nem que falar, né? Um cara que na hora que estava compondo era transparente. Acho que essa parte sentimental que ele entregava é o que marca até hoje." A sinceridade do poeta de Santos (SP) também faz brilhar os olhos de Poliana. A psicóloga organizacional tem um carinho especial pela música "Tudo Mudar". Além de ter uma letra atemporal, é uma mensagem que tem um novo significado para ela. "Antes eu tinha ela como um formato mais voltado para uma questão romântica. Mas hoje eu acho que 'Tudo Mudar' está voltado para vida. A gente pode sempre pensar em formatos diferentes. Mudar as coisas que a gente achou que não conseguiria ou que não queria e que hoje há possibilidade, vontade e oportunidade." Capa do álbum "Acústico MTV: Charlie Brown Jr." Reprodução LEIA TAMBÉM: João Rock 2026: veja programação e horários dos shows de cada palco Chico Chico estreia no João Rock e faz mistério para show: 'Spoiler eu não vou dar' Fã de Marina Sena troca pop internacional por brasilidade no som da cantora: 'Abriu minha visão' Como fã do João Rock 'converteu' marido pagodeiro a roqueiro no interior de SP Impacto do acústico Para Bruno, o formato acústico aproximou a banda daqueles que não necessariamente amavam o timbre mais pesado do CBJR. "O acústico parece que deu mais vida às poesias que o Chorão escrevia", diz o músico. Apesar de a apresentação intimista ter sido registrada em 2003, o projeto segue influenciando as gerações mais novas. Na casa de Bruno, o amor por CBJR é uma herança. "Um dos meus filhos que gosta de música quer tocar e tudo mais. Então, é Charlie Brown a música que ele põe para ficar tirando e aprendendo." Marcelo Nova, do Camisa de Vênus, no palco com Chorão e o Charlie Brown Jr. no João Rock 2008 em Ribeirão Preto, SP Acervo João Rock O que mantém o som como um organismo vivo é o boca a boca de quem se lembra daquela época, segundo Poliana. A filha dela, de 8 anos, já presta atenção nas letras. Para ela, o exercício é importante para a filha entender as coisas que sente, mas que às vezes não sabe expressar. A música 'Não é Sério', que conta com a participação de Negra Li no álbum, é um exemplo de letra que continua falando para os jovens dessa geração. "A participação da Negra Li e do Marcelo Nova esse ano vai ser muito interessante para os jovens de hoje entenderem e poderem sentir o que a gente sentiu também", diz. Expectativa para o João Rock 2026 Reviver os sentimentos da adolescência é o que esperam os fãs mais velhos da banda hoje. Poliana tem grandes expectativas e quer resgatar memórias da época da formação com Chorão e Champignon. "O formato do acústico, eu acho que vai ser uma coisa totalmente nova. Já imagino o cenário de fundo do acústico MTV. É o show que eu mais estou esperando. Vai ficar para a história", diz. Bruno vê a apresentação como uma oportunidade para os mais novos conhecerem o projeto. "Para quem não conseguiu ver lá atrás em 2003 o show acústico, a chance está aí, é agora. É aproveitar o momento e se jogar. É bom demais conseguir ver um show de 20 anos atrás estar tão atual." Alexandre Magno Abrão, o 'Chorão' da banda Charlie Brown Jr. Eduardo Biermann/Divulgação Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão e Franca

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/joao-rock/noticia/2026/07/31/trilha-sonora-da-juventude-fas-relatam-como-album-acustico-do-charlie-brown-jr-marcou-suas-vidas-23-anos-atras.ghtml


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