Saúde, trânsito, água, educação: veja balanço atualizado dos prejuízos do temporal na região de Ribeirão Preto
25/07/2026
(Foto: Reprodução) Temporal com ventos de 122 km/h deixa rastro de destruição no interior de São Paulo
Dois dias depois e com avanços gradativos em serviços como energia elétrica e abastecimento, a região de Ribeirão Preto (SP) ainda se recupera da devastação causada por um temporal na madrugada de 24 de julho, que registrou rajadas de vento de até 122 km/h.
O fenômeno, descrito por meteorologistas como uma sequência de "microexplosões", resultou em 24 milímetros de chuva em apenas 20 minutos.
Uma morte foi confirmada - um homem atingido pela estrutura de um galpão enquanto dormia - , além de um rastro de destruição em ruas, praças prédios públicos, hospitais e residências.
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Prefeituras da região decretaram situação de emergência em meio a um cenário "de guerra" encontrado pelas equipes de resgate: árvores centenárias arrancadas, postes quebrados e telhados de galpões lançados sobre casas.
Imagens de transtornos causados pela chuva na região de Ribeirão Preto
Edição g1
Em Ribeirão Preto, um gabinete de crise foi instalado para coordenar as ações de resposta e ajuda humanitária. Equipes da Defesa Civil Estadual e Nacional foram mobilizadas para apoiar o município, que enfrentou colapso parcial em serviços básicos.
A prioridade estabelecida pelas autoridades é o restabelecimento da energia elétrica, essencial para que os demais serviços, como o abastecimento de água, voltem à normalidade.
“O cenário é muito triste realmente na cidade. Nós vamos ter muito trabalho pela frente. A situação é desoladora”, afirmou o prefeito Ricardo Silva.
A seguir, veja o que se sabe sobre os prejuízos causados por um dos maiores temporais da história da região de Ribeirão Preto dos últimos anos:
Energia elétrica e internet
Saúde e atendimento médico
Abastecimento de água
Trânsito e infraestrutura
Segurança
Assistência social
Educação
Eventos e esportes
34 horas depois do temporal, 81 mil imóveis seguem sem luz na região de Ribeirão Preto, SP
Energia elétrica e internet
O impacto na rede elétrica foi sem precedentes, com a queda de dezenas de torres de transmissão e mais de 250 postes quebrados.
No auge da crise, quase 100% da população de Ribeirão Preto ficou sem luz, e oito das 14 subestações da CPFL foram desligadas devido a falhas nas linhas de transmissão. A força do vento foi tamanha que torres de alta tensão ficaram retorcidas na zona rural.
Torre de energia ficou retorcida após temporal em Taquaritinga (SP)
Redes sociais
Segundo o balanço de sábado (25) da CPFL, cerca de 24 mil clientes em Ribeirão Preto ainda seguiam sem energia - na região chegava a 46,5 mil.
Neste domingo, a Prefeitura de Ribeirão Preto informou que 10 mil imóveis ainda estavam com problemas, o que representa 3% da cidade.
A CPFL mobilizou 300 equipes de diversas cidades e estabeleceu a meta de normalizar o serviço em Ribeirão Preto no fim de semana, priorizando hospitais e bombas de captação de água, mas, no início da noite de domingo, ainda havia moradores reclamando da falta de energia.
A companhia informou, sem dar novos percentuais de atendimento, que seguia tratando casos pontuais em Ribeirão Preto, Taquaritinga, Pradópolis e Dumont até a regularização completa do fornecimento.
"Neste momento, os trabalhos estão concentrados em Guariba, município mais afetado, onde cerca de 7,6 mil clientes seguem em processo de restabelecimento", informou, em nota.
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Além da eletricidade, os setores de telefonia e internet sofreram instabilidade generalizada. O sinal de estações de rádio também foi afetado pelo vendaval.
Secretário pede que pacientes sem urgência não procurem hospitais de Ribeirão Preto
Saúde e atendimento médico
A rede hospitalar de Ribeirão Preto enfrentou momentos críticos, com 100% dos leitos de UTI públicos ocupados após o desastre.
Para evitar que pacientes ficassem sem atendimento, a prefeitura realizou a contratação emergencial de 7 leitos de UTI particulares e disponibilizou 10 leitos emergenciais adicionais nos hospitais da cidade.
Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) receberam reforço médico para lidar com a demanda de feridos, que variou entre 15 e 20 pessoas com ferimentos leves. Estruturas de saúde foram danificadas, entre elas:
o Hospital Santa Lydia, onde o centro cirúrgico foi afetado;
a unidade de emergência do HC teve parte do forro danificado, obrigando a realocação de pacientes;
Hospitais como Beneficência Portuguesa e Santa Casa operaram por horas à base de geradores;
Unidades Básicas de Saúde (UBSs) foram fechadas devido a danos estruturais, e a campanha de vacinação prevista para o sábado foi cancelada.
Atualmente, o fluxo de atendimento em 95% dos hospitais foi reestruturado, embora as cirurgias eletivas permaneçam suspensas para priorizar urgências.
O governo do estado enviou o secretário de Saúde, Eleuses Paiva, para coordenar a regulação de leitos na região e garantir que nenhum paciente fique sem assistência.
Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, SP, teve danos após temporal na madrugada desta sexta-feira (24)
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Abastecimento de água
O abastecimento foi paralisado em grande parte de Ribeirão Preto devido à falta de energia, já que o sistema depende de poços artesianos.
No primeiro balanço após a tempestade, 96 poços estavam inoperantes. O número foi gradualmente reduzido para 35 e, na atualização mais recente, do domingo, 4 poços ainda permaneciam sem energia.
Para mitigar a falta d'água nas residências, o governo estadual enviou caminhões-pipa que estão sendo utilizados pela Secretaria Municipal de Água e Esgoto (Saerp) para atender áreas mais críticas.
Avenida Nove de Julho em Ribeirão Preto tomada por árvores caídas após temporal
Reprodução EPTV
A Prefeitura também avalia a instalação de geradores e o uso de cisternas móveis em comunidades e bairros desabastecidos.
As autoridades fizeram um apelo para que a população economizasse água e evitasse desperdícios enquanto o sistema não era reenergizado.
A prioridade "zero" da CPFL, além dos hospitais, é a religação das bombas dos poços artesianos. No domingo, apenas 4 seguiam sem funcionar.
Trânsito e infraestrutura
O trânsito em Ribeirão Preto ficou caótico com uma pane generalizada no sistema semafórico e dezenas de vias bloqueadas. A RP Mobi registrou semáforos desligados em avenidas importantes como Nove de Julho, Independência, Caramuru, Dom Pedro I e Jerônimo Gonçalves.
Neste domingo, a Prefeitura informou que 87% dos semáforos já haviam voltado a funcionar. Os locais onde equipamentos ainda tinham problemas eram:
Avenida Francisco Junqueira x Rua Sergipe (desligado/intermitente)
Rua Luiz Barreto x Rua Goiás (intermitente)
Avenida Nove de Julho x Rua Barão do Amazonas (intermitente)
Avenida Nove de Julho x Rua Garibaldi (intermitente)
Avenida Nove de Julho x Avenida Portugal (desligado)
Os endereços com interdições parciais ou totais até o início da noite de domingo eram:
Avenida Dr. Francisco Junqueira com a Rua Paraíba;
Avenida Nove de Julho, sentido centro-bairro, no cruzamento com a Rua Sete de Setembro;
Via Norte, na altura da Rua Rio Madeira;
Avenida Otávio Golfeto com a Rua Américo Batista;
Rua Waldemar Donati Júnior, nº 460, Jardim Mário Paiva Arantes;
Rua Prudente de Morais, nº 1.487;
Alameda Domingos F. Vilas Bôas com a Avenida Henri Nestlé;
Avenida Patriarca com a Avenida Pio XII;
Avenida Antônio e Helena Zerrener, na altura da Rua Amapá;
Avenida Antônio e Helena Zerrener com a Rua Monte Alegre;
Rua Garibaldi x Avenida Professor João Fiusa;
Avenida do Café x Rua Tenente Catão Roxo.
Além disso, o Corpo de Bombeiros recebeu 188 solicitações para corte de árvores que obstruíam vias públicas e atingiram veículos.
Um dos danos mais emblemáticos foi a queda do pórtico tradicional da Avenida Dom Pedro I, que desabou sobre um carro de aplicativo; motorista e passageira saíram ilesos. A estrutura já foi retirada da avenida.
Pórtico tradicional da Avenida Dom Pedro I cai sobre carro durante temporal em Ribeirão Preto, SP
Reprodução EPTV
Na Vila Virgínia, a força do vento foi capaz de "levantar" um carro, deixando-o pendurado em galhos de árvores. Estruturas comerciais e uma academia na Avenida Antônio e Helena Zerrener também desabaram.
Para a limpeza e desobstrução, estão nas ruas 488 pessoas, incluindo agentes da Guarda Civil, servidores da Infraestrutura e voluntários, operando 109 viaturas e caminhões.
A área azul - sistema de estacionamento rotativo da cidade - foi suspensa para facilitar o deslocamento, e a orientação é que os motoristas evitem sair de casa se não houver necessidade.
Árvore bloqueia parte da Avenida Francisco Junqueira em Ribeirão Preto, SP
Segurança
Na área de segurança, a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana dizem estar atuando com força máxima.
Durante a madrugada, aproveitando-se do apagão, seis pessoas foram presas em flagrante após furtarem uma loja no Centro. O patrulhamento preventivo foi intensificado em bairros que sofreram destelhamentos, para evitar saques.
Assistência social
O balanço da assistência social do domingo indicava 1,2 mil pessoas desalojadas, que estão em casas de parentes ou amigos, e 12 desabrigados, que dependem dos alojamentos municipais.
Estruturas como a Estação Cidadania no, bairro Alexandre Balbo, e um antigo no Centro foram preparadas para abrigar até 390 pessoas. O governo estadual enviou ajuda humanitária com 200 cestas básicas, 400 cobertores e kits de higiene.
Para ajudar na reconstrução das moradias, a prefeitura adquiriu 750 telhas, e o estado enviará outras 3 mil unidades. Comunidades a Locomotiva, duramente atingidas, estão recebendo atenção prioritária com mantimentos e lonas.
Nany People fala sobre cancelamento de espetáculo em Ribeirão Preto após temporal
Educação
Segundo o prefeito Ricardo Silva, pelo menos cinco mil alunos devem ficar sem aulas na segunda-feira (27) devido aos estragos causados nas escolas municipais.
De 26 unidades, pelo menos 14, segundo o último boletim divulgado pela administração municipal, ficariam fechadas no início da semana. São elas:
CEI Ana Maria Chúfalo
CEI Quintino Vieira
CEI Deolinda Gasparini
EMEF Prof. Eduardo Romualdo de Souza
EMEF Prof. Alfeu Luiz Gasparini
EMEF Prof. Salvador Marturano
EMEF Prof. Virgílio Salata
EMEI Áurea Apparecida Braghetto Machado
EMEI Carmen Aparecida de Carvalho Ramos
EMEI Santa Maria Goretti
EMEI Anita Procópio Junqueira
EMEI Maria Helena Braga Monte Serrat
EEI Casa de Emmanuel – Benção de Paz
EEI Nagibe El Khouri Lian
Escola de Educação Infantil Nagibe El Khouri Lian, na Zona Norte de Ribeirão Preto, após temporal
Redes sociais
Na região, outras prefeituras confirmaram que não haverá aulas na segunda-feira. Em Guariba, a medida valerá de 27 a 29 de julho para recuperação das unidades escolares atingidas.
Em Dumont (SP), as aulas estão suspensas na segunda-feira. "A decisão foi tomada patra garantir a segurança dos alunos, professores e profissionais da educação."
Eventos e esportes
O setor cultural e esportivo sofreu interrupções. Shows de artistas como Hungria, Maria Rita e Nany People foram adiados pela falta de energia nos teatros e casas de eventos. O projeto "Música na Nove" e o fenômeno infantojuvenil "Dos Rosa" também tiveram apresentações suspensas.
Em nota nas redes sociais, os organizadores do João Rock, previsto para o próximo fim de semana, informaram que o evento está mantido.
No esporte, o Botafogo-SP cancelou seus treinos na sexta-feira, pois o Estádio Santa Cruz e o bairro estavam sem eletricidade.
Estrutura de galpão ficou em cima de casas em Guariba (SP)
Reprodução/EPTV
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