Mulher em isolamento social há 18 anos demonstrou medo de estranhos e estava em quarto escuro ao ser resgatada, diz agente de saúde

  • 28/10/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher de 33 anos é encontrada vivendo em isolamento social há 18 anos no interior de SP A mulher de 33 anos encontrada em situação de isolamento social há aproximadamente 18 anos em Cristais Paulista (SP), na região de Franca (SP), ficou assustada, gritou e demonstrou medo de pessoas estranhas quando foi localizada na última segunda-feira (26). “Ela ficou muito assustada. Ela gritava, ela pedia para todo mundo sair dali. A equipe dos policiais militares me ligou pedindo ajuda. Por ser uma figura feminina, eles me ligaram para tentar uma ajuda. Fui devagarzinho tentando falar com ela”, explica Renata Valéria de Souza Pinto, chefe da Divisão de Saúde Pública da Vigilância Sanitária municipal que acompanhou a abordagem. Segundo Renata, a mulher estava em um quarto escuro, sem ventilação e com forte odor. Foi necessário um trabalho de aproximação para convencê-la a deixar o cômodo e aceitar atendimento médico. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Casa da mulher encontrada vivendo em isolamento social em Cristais Paulista, SP Divulgação/Polícia Civil Ela contou que se isolou por vontade própria aos 15 anos após sofrer bullying na escola por causa de uma deformidade no tórax e nas costas. A mulher negou ter sofrido agressões ou maus-tratos da mãe, com quem vive. Uma avaliação médica não identificou marcas de violência física. "A todo tempo a moça falava que nunca sofreu nada, que a mãe dela nunca judiou dela. Isso aí ela deixou muito claro para nós." A residência precisou ser interditada pela Vigilância Sanitária por causa da quantidade de material acumulado. Mãe e filha estão temporariamente na casa de familiares e devem receber acompanhamento médico, psicológico e psiquiátrico. A Vigilância Sanitária suspeita que a mãe tenha transtorno de acumulação, mas ainda não há diagnóstico confirmado. Casa onde mulher de 33 anos foi encontrada e contou que vive em isolamento social há 18 anos, em Cristais Paulista, SP Divulgação/Polícia Civil LEIA TAMBÉM: Mulher de 33 anos é encontrada vivendo em isolamento social há 18 anos no interior de SP, diz polícia Câmeras corporais da PM mostram como foi prisão de homem que fez filha de 4 meses refém em SP Denúncia levou autoridades à descoberta A situação foi descoberta após um contato feito ao Disque 100, canal do governo federal para denúncias de violações de direitos humanos. Policiais civis, com apoio da Polícia Militar, foram até a residência, mas ninguém abriu a porta. Segundo Renata, os agentes entraram no imóvel após contato com o delegado Gabriel Fernando da Silva, responsável pela ocorrência. Durante a abordagem, Renata tentou estabelecer uma relação de confiança com a mulher. "Perguntei como ela se chamava. Aí eu disse: 'Posso chegar próximo a você? Eu estou aqui para ser sua amiga, a gente está aqui para te ajudar, somos todos seus amigos. O que a gente puder fazer por você, a gente vai fazer, tá? A gente não está aqui para tirar você da sua mãe, da sua residência. Está para te ajudar'", diz. Durante a conversa, Renata sugeriu que elas fossem até a sala, onde havia mais iluminação, para que pudesse examinar melhor a moradora. Foi então que ela identificou uma mulher de estatura mediana, muito magra, pálida e com uma deformidade no tórax e nas costas. Renata conseguiu fazer com que ela aceitasse ser examinada no local e depois encaminhada de ambulância a uma unidade de saúde, onde recebeu mais cuidados. Uma avaliação médica preliminar apontou sinais compatíveis com desnutrição, anemia e deficiência de vitaminas. Segundo a chefe, equipes acionadas, como a de Assistência Social, desconheciam completamente a situação de mãe e filha. Suspeita de transtorno de acumulação Durante a vistoria, a Vigilância Sanitária encontrou muito material acumulado na casa e condições precárias de higiene. Segundo Renata, a situação levantou a suspeita de que a mãe da mulher, de 71 anos, tenha transtorno de acumulação, que é quando a pessoa tem dificuldade de descartar objetos e pode comprometer a segurança dos ambientes e dela mesma. "Eu acredito que a mãe tenha, sim, a doença do acúmulo. Eu fiquei com muita dó, porque ela falava assim para mim: 'Ai, minha casa está arrumadinha'. E a gente sabe que não está", afirma. Renata e Mizael levam presentes à mulher encontrada isolada do convívio social por 18 anos em Cristais Paulista, SP Arquivo pessoal Retorno ao convívio social Mãe e filha devem ser encaminhadas para avaliação psiquiátrica, com o objetivo de compreender as circunstâncias do isolamento e ajudá-las a retomar gradualmente o convívio social. Renata e um investigador fizeram uma visita à mulher na terça-feira (27). Em mais um gesto de aproximação, os dois levaram flores e chocolates de presente. A chefe recebeu dela um retorno positivo. "Ela falou para mim assim se ela poderia ser minha amiga. Eu falei 'claro, eu sou amiga desde ontem, eu falei para você que eu era sua amiga, ontem e sou sua amiga'". Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão e Franca Vídeos: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/10/28/mulher-em-isolamento-social-ha-18-anos-demonstrou-medo-de-estranhos-e-estava-em-quarto-escuro-ao-ser-resgatada-diz-agente-de-saude.ghtml


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