Manobrista alegou legítima defesa em julgamento que o condenou por matar vizinho espancado: 'Tive medo pela minha vida'; VÍDEO
20/03/2026
(Foto: Reprodução) Manobrista alegou legítima defesa ao ser condenado a 14 anos de prisão por matar vizinho
O manobrista Sérgio Salomão Bernardes voltou a alegar que agiu em legítima defesa durante o julgamento que o condenou, nesta quinta-feira (19), a 14 anos de prisão pelas agressões que causaram a morte do vizinho Júlio César da Silva, em junho de 2024 em Ribeirão Preto (SP).
A condenação foi por lesão corporal seguida de morte, e não por homicídio doloso triplamente qualificado, como havia sido denunciado pelo Ministério Público e proporcionaria uma pena maior.
Ainda assim, a defesa de Salomão, que já estava preso preventivamente, informou que vai recorrer da decisão para tentar reduzir o tempo de prisão.
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A EPTV, afiliada da TV Globo, obteve trechos do depoimento do réu durante o julgamento. Inicialmente, ele disse que encontrou com a vítima por um acaso, ao voltar do almoço.
"Só fui almoçar. É perto, mas estava vivendo uma vida sedentária, porque eu estava desempregado, apesar de já ter conseguido [emprego], ia começar a trabalhar dali a uns dias. Ele [Júlio] voltava pelo mesmo caminho que eu. Como eu tinha acabado de almoçar, estava pesado, eu estava indo mais devagar para fazer minha caminhada. Com isso, ele me alcançou. Vi que ele veio de trás, na outra calçada, quando ele me chamou. Daí fui até ele, para conversar, e acabou nesse problemão todo."
Salomão alegou que agrediu Júlio depois de ser ameaçado e também confessou que chutou a vítima enquanto ela já estava caída no chão.
"Ele mesmo disse: 'agora você vai ver, agora que vou te pegar mesmo'. Tive medo pela minha vida e dei mais um golpe só, apenas um golpe quando ele estava caído. Foi um chute."
O manobrista Sérgio Salomão Bernardes alegou que agiu em legítima defesa durante julgamento que o condenou a 14 anos de prisão pelas agressões que causaram a morte do vizinho Júlio César da Silva, em junho de 2024 em Ribeirão Preto
Reprodução/EPTV
Ainda durante o depoimento, o manobrista falou sobre a série de acusações contra ele por causar problemas no condomínio onde vivia. Imagens de câmeras de segurança obtidas pela EPTV registraram o comportamento agressivo e intimidador nas áreas comuns do condomínio.
Tudo isso resultou na expulsão de Salomão do local.
"Há 37 anos, eu moro lá. Nunca tive problema com ninguém, com nada. Só que depois que meus pais faleceram, em 2015, comecei a ter problemas financeiros, foi onde que a dívida do condomínio começou a se elevar. Em várias vezes fui chamado no escritório da administração", citou.
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O crime aconteceu no cruzamento das ruas Barão do Amazonas e Mariana Junqueira, no Centro de Ribeirão Preto, na manhã do dia 25 de junho de 2024.
Júlio César da Silva foi espancado por Sérgio Salomão e chegou a ser socorrido e levado à Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos. Os dois tinham um histórico de desentendimentos e o crime chocou os moradores do condomínio Jardim das Pedras, onde moram cerca de 6,5 mil pessoas.
Sérgio Salomão Bernardes, suspeito de agredir e matar idoso em Ribeirão Preto
Reprodução/EPTV
Dias após matar o vizinho, Salomão foi expulso do local, que fica no Jardim Paulista. A Justiça autorizou a medida proposta pela administração do residencial devido a uma série de problemas apresentados pelo morador.
Vídeos mostram o manobrista armado com uma faca e uma marreta, intimidando pessoas que conversavam ou caminhavam pelo condomínio.
Em um dos vídeos, ele marretava paredes do próprio apartamento. Segundo moradores, ele ameaçava derrubar as estruturas, explodir o imóvel com um botijão de gás e ainda incomodava com o barulho nas madrugadas.
A situação se intensificou a ponto de Salomão fazer ameaças constantes a idosos e até a crianças. Diversos boletins de ocorrência foram registrados na Polícia Civil contra o manobrista.
Júlio César da Silva foi agredido e morto em Ribeirão Preto
Reprodução/EPTV
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