Como agiotas condenados se dividiam para movimentar mais de R$ 60 milhões no interior de SP

  • 30/11/2025
(Foto: Reprodução)
Como Franca virou alvo de esquemas de agiotagem A condenação nesta semana de mais cinco pessoas que faziam parte da quadrilha de agiotas que movimentou mais de R$ 60 milhões nos últimos anos na região de Franca (SP) revelou como parte do grupo se dividia desde a captação de clientes até a lavagem de dinheiro. Rayander Luiz Nascimento, Célio Luís Martins, Jonathan Nogueira dos Santos Reis e os irmãos Everaldo Bastos Guimarães e Eraldo Bastos Guimarães foram condenados por organização criminosa, usura com cobrança de juros abusivos mediante grave ameaça, corrupção ativa e lavagem de capitais. Eles receberam as penas de 17 anos, 3 meses e 18 dias de reclusão em regime inicial fechado e 7 meses e 6 dias de detenção em regime semiaberto para o crime de usura. Jonathan está foragido. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Na sentença, o juiz Orlando Brossi Júnior, da 3ª Vara Criminal de Franca, detalhou a atuação de cada um dos cinco alvos da condenação. Veja abaixo: Rayander Luiz Nascimento - atuava na captação de clientes e depois cobrava os devedores. Mesmo após a prisão de outros suspeitos, continuou com as atividades criminosas, destaca o documento. Célio Luís Martins - atendia os clientes que entravam em contato pelo WhatsApp para efetuar pagamentos, bem como interessados na contratação de empréstimos. Também mantinha contato frequente com responsáveis por captar clientes e efetuar cobranças. Atuava como gerente e contador da organização criminosa, supervisionando a correta aplicação da política de crédito e cobrança.; Jonathan Nogueira dos Santos Reis - responsável por movimentar e repassar valores decorrentes da agiotagem praticada pela organização criminosa, com "clara intenção de conferir aparência de licitude ao dinheiro produto de crime". Everaldo Bastos Guimarães - efetuou 652 saques em dinheiro no período de 2020 a 2024, o que é "forte indicativo da lavagem de capitais, em razão dos valores e de sua incompatibilidade com a renda declarada". Eraldo Bastos Guimarães - o juiz citou que transferências e documentos comprovam que ele também praticava a agiotagem, mas sem detalhar. Agiotas movimentaram mais de R$ 60 milhões na região de Franca Reprodução/EPTV LEIA TAMBÉM Presos novos integrantes de quadrilha de agiotas que movimentou R$ 67 milhões Ex-policial acusado de integrar quadrilha de agiotas é preso Como cidade no interior de SP virou alvo de esquemas de agiotagem, operações e até morte O que dizem os condenados Os réus também se manifestaram durante o processo e se defenderam dos crimes. Veja o que eles alegaram, de acordo com a sentença: Rayander alegou que não foi mencionado como agiota ou por fazer ameaças às pessoas. Afirmou, ainda, que não teve as quebras de sigilo fiscal, bancário e telemático pedidas pelo Ministério Público. Célio alegou ausência de individualização da conduta dos réus e disse que nenhum objeto ilícito foi localizado em sua posse. Também citou que o estilo de vida dele não condiz com o valor de R$ 33 milhões citado na denúncia. Jonathan afirmou que a "distribuição por dependência fere o princípio do Juiz Natural" e requereu a improcedência da ação. Everaldo, por sua vez, apontou ausências de suporte fático para acusação, ausência de delimitação da sua conduta, inépcia formal da denúncia e falta de justa causa. Indicou, ainda, a inexistência de presunção de prática de ilícito penal por laço de parentesco. Já Eraldo citou suposta ausência de comprovação dos fatos e pediu a realização de perícias contábil e no aparelho celular, além de uma acareação. O g1 não conseguiu localizar a defesa dos condenados. Homem que lavava dinheiro foi condenado a 17 anos de prisão, mas fugiu Investigações A quadrilha agiu entre 2020 e 2024 e, segundo o Ministério Público, operava de forma estruturada e com clara divisão de funções. As investigações do Ministério Público, que começaram por meio da Operação Castelo de Areia, apontaram que as provas reunidas (interceptações telefônicas, análise de transações bancárias e documentos apreendidos) demonstraram permanência, hierarquia e coordenação entre os envolvidos. A quadrilha fazia ameaças de morte aos inadimplentes e a pessoas próximas a eles. Cópias das conversas, obtidas pelo MP com autorização da Justiça, foram anexadas às denúncias e, de acordo com os promotores de Justiça, comprovam a violência utilizada pela organização criminosa para reaver o dinheiro. Em dezembro do ano passado, sete pessoas, entre elas, um ex-policial, já tinham sido condenadas a 20 anos por integrar a mesma quadrilha. Porém, em decisão de segunda instância proferida nesta quinta-feira (27), o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo absolveu esse grupo. Foram beneficiados: Evanderson Lopes Guimarães, Douglas de Oliveira Guimarães, Ezequias Bastos Guimarães, Ronny Hernandes Alves dos Santos, Bruno Bastos Guimarães, Leomábio Paixão da Silva e o ex-policial civil Rogério Camillo Requel. Operação contra quadrilha de agiotas apreendeu relógio de luxo e R$ 150 mil Gaeco Quadrilha movimentou milhões com agiotagem A primeira fase da Operação Castelo de Areia ocorreu entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, quando sete pessoas acabaram presas suspeitas de movimentar R$ 36 milhões, inicialmente. Em dezembro, todas elas, incluindo o ex-policial civil, foram condenadas a 20 anos de prisão. Rogério Camillo Requel recebeu, em três meses, cerca de R$ 340 mil provenientes do esquema, segundo denúncia do MP. As investigações apontaram que a quadrilha emprestava dinheiro a juros exorbitantes e depois cobrava as vítimas por meio de graves ameaças. Os chefes do esquema eram pai, filho e sobrinho. Ronny era um dos membros da quadrilha que ameaçavam de morte os inadimplentes e as pessoas próximas. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), mesmo com as prisões anteriores, outros integrantes mantiveram a quadrilha ativa e diziam em conversas entre eles que 'nada os intimidaria e, até mesmo, jamais seriam punidos'. Isso motivou a deflagração da segunda fase da operação, em junho deste ano. Desta vez, as investigações apontaram uma nova movimentação, de cerca de R$ 31 milhões. Segundo o MP, conversas comprovam violência empregada por quadrilha de agiotas em Franca, SP Reprodução Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2025/11/30/como-agiotas-condenados-se-dividiam-para-movimentar-mais-de-r-60-milhoes-no-interior-de-sp.ghtml


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