Clínica de repouso é fechada pela segunda vez em Ribeirão Preto após ignorar ordem de interdição
30/03/2026
(Foto: Reprodução) Clínica de repouso é interditada pela segunda vez em Ribeirão Preto, SP
Uma clínica de repouso em Ribeirão Preto (SP) foi interditada pela segunda vez após descumprir ordens judiciais e continuar funcionando de forma irregular. Dezenove idosos eram mantidos em condições precárias no local.
A casa, que fica na Rua Itapura, no bairro Jardim Paulista, já havia sido fechada há um ano por não ter licença sanitária, mas os responsáveis ignoraram a determinação judicial e mantiveram as portas abertas.
Durante a nova ação de fiscalização nesta segunda-feira (30), 17 idosos foram encontrados vivendo no imóvel em condições precárias de atendimento. Outros dois precisaram ser socorridos e levados para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A defesa da clínica não quis se manifestar sobre o assunto.
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A interdição atende uma decisão do juiz Paulo Cesar Gentile, uma vez que os responsáveis ignoraram a primeira ordem de fechamento e mantiveram o estabelecimento operando na ilegalidade.
Fachada da clínica de repouso irregular na Rua Itapura, em Ribeirão Preto (SP), que foi interditada pela Justiça pela segunda vez por não ter licença sanitária e condições precárias
Reprodução EPTV
O juiz determinou que a Vigilância Sanitária fechasse o local e a Secretaria de Assistência Social (Semas) acompanhasse o procedimento para garantir o acolhimento e a segurança dos idosos.
A Vigilância Sanitária e a Semas assumiram a responsabilidade pela reintegração familiar e remanejamento dos abrigados para Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPIs) regulares.
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Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, uma vizinha do imóvel, que preferiu não se identificar, relatou a rotina de desespero e as más condições de higiene do local.
"A gente ouve pessoas gritando, pedindo socorro, e vê que são pessoas idosas pelos gritos. E quando passa na frente, não sei se é o lixo que cheira ou se é algo de lá de dentro, mas cheira mal".
Idoso é socorrido por equipe do SAMU ao deixar clínica de repouso irregular no Jardim Paulista, em Ribeirão Preto (SP), para ser levado à UPA
Reprodução EPTV
Histórico de irregularidades e multas
A clínica é alvo de fiscalização desde o início de 2025. A primeira interdição ocorreu em 14 de fevereiro do ano passado, quando a Vigilância Sanitária flagrou o estabelecimento de interesse à saúde funcionando sem a licença obrigatória.
Cinco dias depois, em 19 de fevereiro, o local foi autuado novamente por descumprimento da medida estabelecida.
Em abril, as autoridades elaboraram um auto de imposição de penalidade, aplicando multa diária à clínica. O caso foi então encaminhado ao Ministério Público.
Apesar de todas sanções, a instituição continuou operando. Em 8 de dezembro, uma nova inspeção conjunta da Semas, da Vigilância Sanitária e do Conselho Municipal do Idoso flagrou 20 pessoas abrigadas no imóvel, o que embasou a decisão judicial definitiva do juiz Paulo Cesar Gentile.
'Depósito de idosos' e condições precárias
Quando foi alvo da primeira interdição, em fevereiro de 2025, a clínica abrigava 25 pacientes. Na época, a fiscalização encontrou idosos com quadro de escabiose (sarna), uma doença de pele contagiosa causada pelo contato com roupas e objetos contaminados.
Imagens feitas no local mostraram condições precárias de infraestrutura, com fiações elétricas expostas próximas a torneiras, além de banheiros sem porta, janela e chuveiro.
Imagens mostram clínica para idosos interditada em Ribeirão Preto: à esquerda, fiação elétrica próxima a torneira; à direita, banheiro sem chuveiro.
Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto
Na ocasião, o promotor de Justiça Carlos César Barbosa classificou o espaço como um "depósito de idosos".
"Para se abrir uma instituição de longa permanência é preciso ter a licença sanitária. Não adianta montar a casa e depois correr atrás da licença. A gente observa que nessa casa há dezenas de irregularidades. São idosos que não estão sendo tratados com a dignidade que merecem".
A chefe da Vigilância Sanitária, Vânia Cantarella Rodrigues, explicou na época que o endereço já tinha um histórico de autuações quando era gerenciado por outros donos, antes de a nova empresa assumir a operação irregularmente no imóvel.
"Como a gente sabia que aqui tinha sido uma instituição a gente viu a placa, entrou, e nos deparamos com essa nova empresa aqui dentro".
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