‘Cela especial, formado, tô de boa’, disse homem acusado de golpes em app de namoro ao ser cobrado por mulher
06/11/2026
(Foto: Reprodução) Homem acusado de golpes em aplicativo de namoro debochava de cobranças de vítima
O homem de Sertãozinho (SP) acusado por mulheres de golpes em aplicativos de namoro disse, em um áudio enviado a uma delas, que não vai ser preso porque é “formado” e que, se for, terá direito a “cela especial”.
Segundo a mulher, ele debochava quando era cobrado. “Ele deu risada na minha cara”, conta.
O homem é Fernando Vasco Fernandes, de 38 anos. Segundo as mulheres, ele pedia dinheiro emprestado com justificativas como roubos e contas bancárias bloqueadas, prometia devolver e não pagava.
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Fernando Vasco Fernandes, de Sertãozinho (SP), denunciado por suposto golpe contra mulheres
Arquivo pessoal
Fernando não foi localizado. A EPTV, afiliada da TV Globo, esteve em um endereço ligado a ele em Sertãozinho, mas ele não foi encontrado. Nenhum advogado que o represente foi localizado até a última atualização desta reportagem. Na ação de indenização, ele foi citado e não apresentou defesa no prazo, segundo o andamento do processo.
O benefício citado por ele não existe mais. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a prisão especial para quem tem curso superior é incompatível com a Constituição.
O áudio foi enviado a uma mulher da região de Marília (SP), com quem Fernando se relacionou em 2024. A gravação faz parte da investigação do caso e das provas da ação em que ela pede indenização a ele.
Em abril deste ano, ao negar um pedido para bloquear os bens de Fernando, o juiz da 1ª Vara de Pompeia (SP) escreveu que os prints, os áudios e o boletim de ocorrência apresentados pela mulher dão “verossimilhança” às alegações, ou seja, tornam a versão dela plausível. A ação ainda não foi julgada.
Fernando Vasco Fernandes, de Sertãozinho (SP), denunciado por suposto golpe contra mulheres
Arquivo pessoal
Segundo a mulher, quando era cobrado, ele também dizia que o dinheiro não tinha sido emprestado, e sim dado por ela porque quis.
Ela conta ainda que ele se apresentava como engenheiro agrônomo, mas diz acreditar que ele não concluiu a faculdade. A formação de Fernando não foi confirmada pela reportagem.
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Diploma ainda garante cela especial?
Não. Até 2023, o Código de Processo Penal (CPP) previa prisão especial para “diplomados por qualquer das faculdades superiores da República”.
🔍 Prisão especial: recolhimento em local separado dos demais presos. Vale só enquanto a pessoa não tem condenação definitiva, ou seja, durante prisões temporárias ou preventivas.
Em março de 2023, o STF julgou uma ação apresentada em 2015 pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e decidiu que esse trecho da lei não vale mais, por ser incompatível com a Constituição. O julgamento terminou no dia 31 daquele mês, em sessão virtual.
O relator, ministro Alexandre de Moraes, classificou o benefício como “uma medida discriminatória, que promove a categorização de presos”. Para ele, a regra favorecia quem já é socialmente privilegiado.
A decisão tratou apenas do critério do diploma. Os ministros ressalvaram que a lei continua permitindo separar presos por outros motivos, como idade, sexo e natureza do crime, e manter presos provisórios longe dos já condenados.
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Reprodução/EPTV
Entenda o caso
Fernando é acusado por mulheres de pedir dinheiro durante relacionamentos iniciados em aplicativos de namoro e não devolver os valores. Segundo elas, ele se apresentava como engenheiro agrônomo e fazendeiro.
A mulher da região de Marília afirma ter perdido R$ 30 mil. Segundo ela, ele pediu dinheiro antes mesmo do primeiro encontro, dizendo que tinha sido roubado e que a conta bancária estava bloqueada.
Uma moradora de Ribeirão Preto (SP) afirma ter transferido cerca de R$ 13 mil por Pix a Fernando e comprado, no nome dela, um iPhone parcelado em 20 vezes de R$ 650, que ele se comprometeu a pagar. Ela registrou boletim de ocorrência.
Pelo menos cinco mulheres já procuraram a polícia para relatar casos envolvendo Fernando.
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