Avô e companheira vão a júri popular por morte de menina de 3 anos em Ribeirão Preto, SP
15/09/2026
(Foto: Reprodução) Avô e companheira vão a júri popular por morte de menina de 3 anos em Ribeirão Preto, SP
O avô de Sophia Emanuelly dos Santos, de 3 anos, José dos Santos e a companheira dele, Karen Tamires Marques, vão a júri popular pela morte da menina, que aconteceu em fevereiro deste ano, em Ribeirão Preto (SP).
Os dois serão julgados pelos crimes de feminicídio qualificado, tortura e omissão. Se forem condenados, poderão receber penas que, somadas, ultrapassam 30 anos de prisão.
O julgamento ainda não tem data para ocorrer. José e Karen estão presos preventivamente desde fevereiro, quando Sophia foi levada já sem vida à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Avenida Treze de Maio.
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À EPTV, afiliada da TV Globo, as defesas do casal negaram que eles sejam responsáveis pela morte da menina.
José dos Santos e Karen Tamires Marques são suspeitos de envolvimento na morte da neta dele, de 3 anos, em Ribeirão Preto, SP
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Ao g1, o Tribunal de Justiça de São Paulo informou que cabe recurso dessa decisão e o processo tramita sob segredo de Justiça.
"Só ao final da fase recursal é que será agendado o julgamento, caso a sentença de pronúncia seja mantida".
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Sophia foi levada pelo avô à UPA da Avenida Treze de Maio na noite de 17 de fevereiro deste ano. Aos médicos, José afirmou que a neta estava passando mal e havia vomitado durante o trajeto.
O pediatra de plantão, no entanto, constatou que a criança já estava morta e acionou a polícia. De acordo com o registro da ocorrência, Sophia tinha hematomas pelo corpo e sinais de esganadura no pescoço.
Durante as investigações do caso, uma médica legista estimou que a menina havia morrido entre seis e 12 horas antes de ser levada à unidade de saúde.
Exames também apontaram lesões de diferentes períodos, desnutrição grave, fratura, edema cerebral, sarcopenia e baixa densidade capilar. Ainda segundo as investigações, as marcas indicavam que a criança era agredida havia algum tempo.
Investigação apontou tortura e privação de comida
José tinha a guarda da neta desde 2024. Ele, Karen e Sophia moravam em um apartamento no Parque São Sebastião, na Zona Leste de Ribeirão Preto.
As investigações também apontaram que a menina era submetida a agressões e ficava sem se alimentar. Ela também não passava por atendimento médico desde 2023.
Em depoimento à polícia à época do crime, Karen afirmou que não gostava de Sophia, admitiu que batia nela com frequência e confessou tê-la esganado depois que a criança se recusou a comer.
Na ocasião, o delegado Sebastião Vicente Picinato afirmou que a confissão indicava o momento em que a menina teria morrido.
“Ela esganou a criança e pôs para dormir. Eu acho que ali aconteceu o evento morte.”
José e Karen foram presos em flagrante e tiveram as prisões convertidas em preventivas após audiência de custódia.
Avó havia denunciado maus-tratos
Em agosto deste ano, o Ministério Público pediu, em uma ação separada, o afastamento de cinco conselheiras tutelares por suposta omissão na apuração das denúncias.
A Promotoria também pediu a cassação definitiva dos mandatos e a proibição de que elas disputem novas eleições para o cargo pelos próximos oito anos.
Isso porque, antes da morte de Sophia, a avó da menina, que mora em Itapetininga (SP), havia relatado ao Conselho Tutelar daquela cidade que a neta estava muito magra e apresentava machucados pelo corpo.
Segundo o promotor de Justiça Moacir Tonani Júnior, as primeiras denúncias foram feitas em abril de 2025 e encaminhadas ao Conselho Tutelar de Ribeirão Preto.
“No dia 7 de abril de 2025, a avó procurou o Conselho Tutelar de Itapetininga, relatando que tinha visto machucados e que a menina estava muito magra. Após um novo contato, no dia 10 de abril, ela notou que a menina tinha machucados ao longo do corpo e estava mais magra ainda.”
Um documento obtido durante as investigações mostra que uma visita chegou a ser realizada no endereço onde Sophia morava. Como ninguém foi encontrado e o telefone informado não atendia, o caso foi encerrado.
"Neste endereço não encontro ninguém morando. O telefone só dá caixa-postal. Aguardar nova denúncia", consta no registro atribuído a uma conselheira.
Para o Ministério Público, a atuação foi insuficiente diante da gravidade dos indícios relatados pela avó.
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