Ataques do PCC: há 20 anos, região de Ribeirão Preto vivia onda de terror com ruas vazias e mortes de agentes públicos

  • 13/05/2026
(Foto: Reprodução)
Ataques do PCC há 20 anos deixaram 17 mortos na região de Ribeirão Preto Uma onda de ataques coordenada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), que completa 20 anos em maio, deixou um rastro de 17 mortos, incluindo um delegado e um agente carcerário, e paralisou a região de Ribeirão Preto (SP) em 2006. A ofensiva, uma reação à transferência de líderes da facção para presídios de segurança máxima, atingiu delegacias, quartéis e ônibus, espalhando um clima de terror que marcou um dos capítulos mais violentos da história de São Paulo. "O fato novo era até onde a minha família está protegida, porque até então não se sabia os precedentes e não se sabia os limites, a gente não sabia até onde eles iam", afirma o coronel reformado da Polícia Militar Artur Henrique Lofler, que era tenente na época. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Um dos crimes mais marcantes foi a morte do delegado Adelson Taroco, em Jaboticabal (SP). Durante uma rebelião na cadeia da cidade, ele foi rendido por detentos, que amarraram colchões em seu corpo e atearam fogo. O delegado Adelson Taroco morreu após ter o corpo queimado durante rebelião em Jaboticabal (SP). AcervoEP Taroco, então com 39 anos, chegou a ser encaminhado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, mas morreu 19 dias depois, com 70% do corpo queimado. Na época, 37 presos foram investigados pela morte do delegado e pelo menos oito pessoas acabaram condenadas. Além disso, a família do delegado teve direito a uma indenização do estado. Outros agentes de segurança também foram alvos dos ataques na região. Em Ribeirão Preto, o carcereiro Alexandre Luis Lima foi morto com 16 tiros e o guarda florestal Arildo Ferreira da Silva foi assassinado com 12 tiros. No velório, colegas não usaram farda por medo de represálias. Em Franca (SP), a casa de um policial militar foi alvo de um atentado. "Nós estavamos na rua recompondo, refazendo a ordem pública, mas tínhamos o temor se algum carro não ia parar na frente da sua casa, e nós sabíamos que por mais que nós estivéssemos presentes na rua, por mais que a gente tentasse patrulhar todos os setores, esse perigo era real", diz Lofler. Colchão queimado com delegado durante rebelião na cadeia de Jaboticabal (SP) em 2006. AcervoEP Medo no interior de São Paulo O medo se espalhou pela população, deixando ruas desertas com o comércio fechando mais cedo. A telefonista Sandra Brunelli se lembra que foi para a faculdade com medo. "Eu chegava na escola, a professora falava assim 'gente, se vocês escutarem tiro, vocês se escondem, se joguem no chão'. Eu sei que foi um horror, eu tinha medo de sair para a ruas. A cidade ficou deserta e realmente foi uma coisa que marcou muito", diz. LEIA TAMBÉM Família de delegado morto em motim receberá indenização de R$ 394 mil Preso último condenado por morte de delegado em Jaboticabal, SP TJ aumenta pena de condenados por morte de delegado de Jaboticabal, SP O advogado Luiz Vicente Ribeiro Corrêa lembra da rotina alterada por conta do medo instaurado. "Nosso escritório tem por hábito, não tem hora pra fechar, aqui no escritório, osso afirmar também que nós passamos a fechá-lo ainda com o sol bem a pino, por volta de 18h, 18h30, já não tinha mais ninguém no escritório, preocupado com essa ameaça", afirma. Carro de agente penitenciário assassinado com 16 tiros em Ribeirão Preto em 2006. AcervoEP Crime organizado mais articulado Vinte anos depois, especialistas apontam que o crime organizado evoluiu e se tornou mais articulado. Se antes o foco era o tráfico de drogas, hoje as facções se infiltram em setores da economia legal para lavar dinheiro. Na região de Ribeirão Preto, a Operação Carbono Oculto, do Ministério Público, revelou que o PCC comprou uma usina de cana em Pontal (SP) para atuar na distribuição de combustíveis adulterados. Para o cientista político Igor Lorençato, a evolução ocorreu principalmente no ramo financeiro. Ele explica que o caminho para enfraquecer as facções passa por atacar seu poder econômico. "O que move o PCC hoje não é aquela política antiga do crime organizado de ganhar dinheiro vendendo droga em 'boca'. O que a gente tem hoje é um sistema muito mais robusto, muito mais complexo e, sim, dinheiro é poder. A gente precisa então esvaziar os cofres do PCC, descobrir onde estão esses recursos, e aí sim o PCC vai se ver enfraquecido novamente", analisa. Sede do 2º Distrito Policial de Ribeirão Preto foi alvo de granada durante ataques em 2006. AcervoEP Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/05/13/ataques-do-pcc-ha-20-anos-regiao-de-ribeirao-preto-vivia-onda-de-terror-com-ruas-vazias-e-mortes-de-agentes-publicos.ghtml


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